Um incêndio toma conta da minha sala. Transeuntes passam mirando minha casa em ruínas, alguns perguntam sobre a minha vida, recolhem suas crianças, trocam figurinhas. Mas e a casa? A minha casa é tudo que eu tenho! Tragam os baldes, os carros-pipa, tudo o que for preciso para salvar anos e anos de conquistas e trabalho duro. Não quero pilhas de jornais velhos, muito menos combustíveis inflamáveis, pessoas. Me venda sua água disponível, eu pagarei assim que puder.
O socorro chegou. Homens armados com equipamentos robustos desceram de seus carros vermelhos e apontaram o que pareciam ser armas na direção da minha humilde casa. De repente várias labaredas tomaram formas gigantescas e avançaram contra todos que se aproximavam da construção. O desespero tomou conta da vizinhança. O fogo já se encaminhava para prédios vizinhos e veículos estacionados aparentemente sem donos. Eu abria e cerrava os olhos com força sem entender como acordei naquele filme.
Respirei fundo, olhei para uma senhora mal-encarada que passeava com seu cachorro comprido e fui perdendo o controle da situação. Já olhava para o fogaréu sem muita esperança. Desci a rua arrastando meus trapos, enfurecido com o que me acontecia...
Nada era de mentira, eu podia sentir a minha cólera. O céu era bem real.
[Nícolas]
Kafka?
ResponderExcluirEngraçado que hoje li um conto de ficção científica bastante semelhante ao enredo de "A metamorfose".
Acho tão bonito a forma como você detalha as cenas que se sucedem. Dá para visualizar uma a uma.
Parabéns, escritor.
Beijo.