E eu dizia ainda é cedo..

sábado, 29 de setembro de 2012

Na Contramão no Maranhão


  1. Caminhos Distantes, caminho avante.
  2. Se no caso da estrada torta,
  3. uma garrafa de álcool e um pôr-do-sol  elegante.
  4. Não vou chorar na areia, nem pisar na água límpida
  5.  que surge na montanha.]
  6. Vou!
  7.  ..............................
  8.  Lembrando aos risos de sua linda dança.
  9. As texturas me colocarão acima, as pastagens, o clarão.
  10. O animal andarilho, vou adotar meu coração
  11. Pra toda vida. Que lambança.
  12.  .............
  13. Quero uma fruta molhada, uma manga, uma goiaba
  14. Não deixarei a minh’alma abandonada.
  15. Mesmo que cada fim de dia uma lágrima surja desamparada.
  16.  ...................................


Nícolas

domingo, 21 de agosto de 2011

Um conto de Arthur Oscar Lopes:


Notícias

Correio do Povo 27/09/73

Informações

Maria Joana Knijnick, solteira, procura pessoa do sexo oposto para fim de
casamento. O interessado deve ser pessoa sensível, que goste de ouvir música, seja
alegre, que goste de passear domingo de manhã, que goste de pescar, que goste de
passear na relva úmida da manhã, que seja carinhoso, que sussurre aos meus ouvidos
que me ama, que tenha bom humor, mas que também saiba chorar. Que saiba escutar o
canto dos pássaros, que não se importe de dormir ao relento numa noite de lua, que saiba
caminhar nas estrelas, que goste de tomar banho de chuva, que sonhe acordado e que
goste muito do azul do céu. Prefere-se pessoa que saiba escutar os segredos de um
riacho e que não ligue aos marulhos do mar; que goste de bife com arroz e feijão, mas que
prefira peru com maçã, dá-se preferência a pessoas de pés quentes, que gostem de andar
de barco, que gostem de amar e que não puxem as cobertas de noite. Não se exige que
seja rico, de boa aparência, que entenda Kafka ou saiba consertar eletrodomésticos mas
exige-se principalmente que goste de oferecer flores de vez em quando.
End.: — Rua da Esperança, 43


Correio do Povo 02/10/73

Informações

Maria Joana Knijnick, solteira, procura pessoa do sexo oposto para fim de
casamento. O interessado deverá ser pessoa sensível e que tenha o hábito de oferecer
flores.
End.: - Rua da Esperança, 43

Correio do Povo 10/10/73

Informações

Maria Joana Knijnick procura pessoa que a ame e goste de oferecer flores de vez
em quando.
End.:— Rua da Esperança, 43

Correio do Povo 20/10/73

Informações

Maria Joana Knijnick pede que qualquer pessoa goste dela e suplica que lhe mande
flores.

Correio do Povo 14/11/73

Informações

A família da sempre lembrada Maria Joana Knijnick comunica o trágico
desaparecimento daquele ente querido e convida os amigos para o ato de sepultamento.
Pede-se não enviar flores.
* * *

domingo, 14 de agosto de 2011


A Revolução Dos Espelhos

Quando o carro de trás não mais se aproximar
A batida no sinal, o caos na marginal.
Eles irão maquiar sua aparência, amigo.
O narciso em poucos dias morrerá.
Você sairá de casa aborrecido e feio.
                                                    
De nada adiantará a arrumação do cabelo.
Os espelhos estarão livres e à vontade pra te enganar.
Tempos antigos, mito da taberna.
A mulher de cabelo em pé
O galã não mais galã.



Nícolas

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ultimamente a única coisa que tenho feito é ouvir de muitos o que tenho que fazer. Quando muito, faço sinal de positivo. 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pride and Joy


Fui alcançado por um ritmo abastado. A execução de notas frias e expressivas exige território vasto. Os minutos se estendem deixando um rastro explícito de glamour e autenticidade. O protagonismo de uma stratocaster modificada destrói e constrói conceitos. A descoberta aparente exige entrega e pouco raciocínio. É momento de servidão.

                                                                                                                                             [Nícolas]

                                                                                   Stevie Ray Vaughan                                                
                                                              

                                                      

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Símbolos contrários chocaram-se embaixo de uma mesa movimentada. Já cansados da vida pouca, enfim, foram tirados da agonia do enclausuramento periódico. Nunca poderiam imaginar que um encontro mais que  concreto aconteceria em um lugar tão superficial. Entreolharam-se e fizeram jogo duro. Seus fantoches mecânicos não silenciavam em momento algum. Nada era tranqüilo e os protagonistas se matariam por nada. Cenas fortes estavam por vir sem comunicados. Sorrateiramente, passadas ligeiras ofuscaram a batalha dos símbolos orgulhosos.


A apresentação de um duelo é sutil, inevitável e cautelosa... A sorte antecipando a morte. Mas, nesse encontro, a desavença era desarmada. 




                                                                                                                                     [Nícolas]

Kafka?

Um incêndio toma conta da minha sala. Transeuntes passam mirando minha casa em ruínas, alguns perguntam sobre a minha vida, recolhem suas crianças, trocam figurinhas. Mas e a casa? A minha casa é tudo que eu tenho! Tragam os baldes, os carros-pipa, tudo o que for preciso para salvar anos e anos de conquistas e trabalho duro. Não quero pilhas de jornais velhos, muito menos combustíveis inflamáveis, pessoas. Me venda sua água disponível, eu pagarei assim que puder.

O socorro chegou. Homens armados com equipamentos robustos desceram de seus carros vermelhos e apontaram o que pareciam ser armas na direção da minha humilde casa. De repente várias labaredas tomaram formas gigantescas e avançaram contra todos que se aproximavam da construção. O desespero tomou conta da vizinhança. O fogo já se encaminhava para prédios vizinhos e veículos estacionados aparentemente sem donos. Eu abria e cerrava os olhos com força sem entender como acordei naquele filme.

Respirei fundo, olhei para uma senhora mal-encarada que passeava com seu cachorro comprido e fui perdendo o controle da situação. Já olhava para o fogaréu sem muita esperança. Desci a rua arrastando meus trapos, enfurecido com o que me acontecia...

Nada era de mentira, eu podia sentir a minha cólera. O céu era bem real.

                                                                                                                                              [Nícolas]